domingo, 18 de outubro de 2009

Momento introspectivo de um clone


Muito tentamos descobrir o que no espelho há de tão especial... Será que é culpa de um mundo que nada tem para nos dar? Ou é nossa alma tão vã que nem um espelho sabe estilhaçar? Pode ser um vasto padrão em forma de cornucópia queimada pelo sabor que regurgitamos a fundo num impacto desmesurado e, cada vez mais inútil... Saberei eu o que um tempo esconde para além dos minutos que me prometeste consumir? Se nessa balança pudesse eu colocar o teu tudo e o meu nada, qual pesaria menos e que diferença faria isso no teu nada? Se te inquietasse o suficiente talvez uma pequena acendalha falhasse na minha pele e do frio que a chama consome, pudesse permutar uma dor, e que vasta dor, dentro do meu ser que nada tem de especial se nunca olhado a um espelho miserável, que só sabe descortinar uma imagem de fora para dentro... E aí talvez te soubesse fixar nos olhos a tentar imaginar a que sabem as pequenas volúpias por onde os meus sonhos viajam e por onde, para sempre, andarás tu perdida...

3 comentários:

Inês disse...

Caro Bilhó: seus poemas são belos pela complexidade que os caracteriza. Ainda que o conteúdo não se identifique muito com o meu género de poesia, adoro a sua forma de passar a sua emoção para o papel.

Muito, muito bom.

Anônimo disse...

simples e rígido, poema de categoria plausível e determinada, gosto. EU conheço,sabes.

L. Reyes disse...

O problema do amor costuma ser a imundice do que é mundano. E os constantes atropelos do quotidiano às nossas fantasias e sonhos. Gostava de estar ai, ao teu lado.